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Rio vê queda em mortes por covid por 2 semanas seguidas: o que significa?

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Por duas semanas consecutivas, o estado do Rio de Janeiro registrou queda no número de mortes e de pessoas infectadas por covid-19. A redução se concentra na capital fluminense.

Há três semanas, foram registrados 1.203 óbitos; nos sete dias seguintes, 944, e na semana encerrada no último domingo (5), 848. A curva descendente esboça uma tendência, mas ainda está longe de configurar um quadro de controle da doença ou de queda sustentável das mortes. Isso porque há o risco de o atual afrouxamento do isolamento social —com bares e transporte público lotados— causar uma segunda onda da doença, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

“Tem a possibilidade de enfrentarmos uma segunda onda da doença no Rio, com pessoas indo a bares e sem adotar cuidados para prevenir o contágio. A falta de testes para monitorar o avanço da doença também dificulta o rastreamento de casos, que podem subir rapidamente”.

Diego Ricardo Xavier, pesquisador da Fiocruz

 

“É bem provável que alguns municípios tenham que retroceder no processo de flexibilização. Foi criada uma estrutura de saúde que está sendo desmobilizada, e isso é bem preocupante”, complementa.

Ontem, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), prorrogou medidas restritivas até o dia 21 deste mês. O decreto mantém recomendação a prefeituras sobre a reabertura gradual de setores do comércio e da indústria, de acordo com as especificidades de cada cidade.

O levantamento semanal feito pelo UOL com base em dados oficiais comparou os registros de mortes nas semanas anteriores.Especialistas apontam para um processo de interiorização da doença. Na última semana, municípios como Niterói (Grande Rio), Campos dos Goytacazes e Volta Redonda registraram pico de mortes em decorrência da pandemia.

“A epidemia começou na capital e depois apresentou esse processo de interiorização, com municípios em estágio de aumento”, analisa Xavier.

Por outro lado, um estudo desenvolvido pela Fiocruz aponta que o pico da doença na cidade do Rio ocorreu entre os dias 17 e 23 de maio.

 

Flexibilização põe curva descendente em risco

O físico Vitor Sudbrack, que integra a equipe do Observatório Covid-19 BR, plataforma online que reúne análises baseadas em dados oficiais, também diz acreditar que esse cenário de queda nos dados pode mudar rapidamente, principalmente por causa das medidas de flexibilização.

“Pela dinâmica da doença, a flexibilização acaba gerando mais casos. Por isso, é importante verificar a capacidade de testagem da população”, reforça.

Domingos Alves, professor de Medicina da USP e integrante do Covid-19 Brasil (grupo de pesquisadores que monitora dados sobre a pandemia no país), traça um cenário semelhante, baseado no que ocorreu em outros países.

“Com o afrouxamento, os óbitos diários devem voltar a aumentar nas próximas duas ou três semanas. Temos exemplos de 11 municípios no Brasil que relaxaram a quarentena e os casos aumentaram”, analisa.

 

Imunidade em grupo ou baixa adesão ao isolamento

O médico Daniel Soranz, pesquisador da Escola Nacional de Saúde da Fiocruz, não vê relação da queda de mortes nas duas últimas semanas com medidas de prevenção adotadas no Rio. “Tivemos uma mortalidade altíssima. É óbvio que teríamos uma redução no número de casos.”

A redução de casos mesmo após o afrouxamento da quarentena, segundo ele, pode estar relacionado a uma possível imunização em grupo. “Havia uma hipótese de que o retorno às atividades poderia aumentar o número de casos. Mas isso não aconteceu. Isso pode até estar relacionado a uma imunidade de grupo”, afirma.

Dados da Central Estadual de Regulação apontam um paralelo no cenário do combate à pandemia nos últimos meses. Em 9 de maio, havia 1.300 pessoas esperando vaga para internação por covid-19 em enfermaria, hospital ou CTI. No dia 12 de junho, a fila por leito de covid já havia sido zerada, com queda no número de internados.

“Mas voltamos a ter outro problema na cidade do Rio, que é a fila de espera para UTIs e internação por outras doenças. Hoje, há 49 pacientes esperando leito de CTI. Exames foram suspensos em meio à covid e agora esses pacientes precisam ser atendidos. A restrição no atendimento vai causar impacto em outras doenças”.

Médico Daniel Soranz, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz

 

Fonte: UOL

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