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Veja como está a participação do Brasil na corrida pela vacina contra a Covid-19

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País terá fase de testes de duas vacinas do exterior, mas também desenvolve os seus próprios estudos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) contabiliza 141 candidatas a possíveis vacinas contra a Covid-19 – 13 delas em fase clínica, ou seja, sendo testadas em humanos.

O Brasil, segundo país com mais mortes pela doença em números absolutos, consta da lista da OMS com dois estudos em fase pré-clínica.

Mas o país tem ainda outras pesquisas em fases preliminares em universidades e laboratórios nacionais, além de duas parcerias importantes — uma com a Universidade de Oxford e outra com o laboratório chinês Sinovac — para a fase 3 em humanos, que testarão 11 mil brasileiros.

No desenvolvimento de vacinas, existe a fase pré-clínica (com testes na placa e depois em animais) e três etapas de fase clínica (em humanos), que abrangem mais pessoas e metodologias diferentes em cada passo dado (1, 2 e 3) para encontrar as melhores formulações e periodicidades.

A participação brasileira conta ainda com a única médica da América do Sul convidada pela OMS para integrar o Grupo Estratégico Internacional de Experts em Vacinas e Vacinação, um núcleo de estudos com 15 especialistas do mundo que avalia resultados encontrados contra a Covid-19.

Cristiana Toscano é epidemiologista, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e representa o estado na Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Ela espera que a participação nacional estimule a ciência no Brasil: “É bastante promissor termos vacinas em desenvolvimento e ensaios clínicos realizados aqui, temos também profissionais participando de diversos comitês pelo mundo. Mas poderíamos ter melhores estratégias internas de colaboração a longo prazo que estimulem filantropia e doações para financiamento de pesquisa”, destacou.

“O fortalecimento e investimento em pesquisa são marcas registradas dos países que crescem mais em PIB e produção de produtos, já que escolhem investir em educação, ciência e inovação”, completou.

Embora existam boas iniciativas neste momento, a falta de investimentos coloca o Brasil mais atrás na corrida das vacinas: “A gente tem tecnologia, pessoas e conhecimento, mas não temos dinheiro e não temos alunos, já que cortaram as bolsas. Não existe ciência sem pós-graduando. Esse desmonte deixou a ciência brasileira quebrada. Não vai ter financiamento para todos os projetos. É bem capaz que alguma ideia legal morra na praia por falta de recursos”, comentou a microbiologista Natalia Pasternak, fundadora do Instituto Questão de Ciência.

Abaixo, veja como está a participação do Brasil em cada caso:

Vacina de Oxford – Testes no Brasil (fase 3)

Uma das vacinas em estágio mais avançado no mundo é a da Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a empresa AstraZeneca, que utiliza princípios semelhantes de estudos de vacinas contra ebola e Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio causada por outro tipo de coronavírus).

Ao todo, 50 mil pessoas serão testadas em todo o mundo — 30 mil nos Estados Unidos e outras em países da África e Ásia. No Brasil, 2 mil voluntários entre 18 e 55 anos serão vacinados. A ideia é anunciar os resultados até setembro e, se tudo correr bem, entregar as vacinas já em outubro.

Em São Paulo, os testes em mil voluntários serão conduzidos pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e contam com a viabilização financeira da Fundação Lemann em toda infraestrutura médica e equipamentos.

No Rio de Janeiro, os testes em mil voluntários serão feitos pela Rede D’Or São Luiz, com R$ 5 milhões bancados pela própria Rede, e sob coordenação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor).

São recrutadas pessoas da linha de frente do combate à Covid-19, em situação de maior exposição à contaminação. Eles precisam ser soronegativos, ou seja, que não contraíram a doença anteriormente.

A vacina utiliza uma tecnologia conhecida como vetor viral recombinante. Ela é produzida a partir de uma versão enfraquecida de um adenovírus que causa resfriado em chimpanzés — e que não causa doença em humanos. A esse imunizante foi adicionado o material genético usado na produção da proteína “spike” do Sars-Cov-2 (a que ele usa para invadir células), induzindo os anticorpos.

É considerada uma vacina moderna e “segura” por não utilizar o vírus e sim uma sequência genética.

Butantan/Sinovac – Testes no Brasil (fase 3)

O Governo de São Paulo e o Instituto Butantan anunciaram na última semana uma parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech, que já fez testes nas fases 1 e 2 com cerca de mil pessoas — tendo criado anticorpos em 90% dos pacientes.

Pelo acordo, 9 mil voluntários brasileiros serão testados e, caso a imunização se torne segura, o país contará com doses da vacina até junho de 2021. O estudo clínico custará R$ 85 milhões.

A vacina é chamada CoronaVac e, como houve controle da pandemia na Ásia, o laboratório procurou a cooperação de países que ainda contam com muitas pessoas expostas ao vírus. Como o Brasil.

Especialistas dizem que se trata de uma “vacina à moda antiga”, com técnica conhecida desde os anos 1960, com manipulação em laboratório de células humanas infectadas com o próprio Sars-Cov-2. A vacina é produzida com fragmentos inativados do coronavírus para introdução em humanos. Com a aplicação, o sistema imunológico passa a produzir anticorpos contra o agente causador da doença.

Por trabalhar com o vírus inteiro, exige laboratórios seguros e boa logística: “É uma tecnologia que o Butantan domina. A vacina da dengue já é feita assim”, explicou Dimas Tadeu, diretor do Butantan.

O instituto é reconhecido como a maior fábrica de vacinas da América Latina. Em 2019, 60 milhões de vacinas contra a gripe foram fornecidas pelo Butantan ao governo federal.

Iniciativas brasileiras

Incor/FMUSP – (fase pré-clínica)

O projeto nacional em estágio mais avançado é o liderado por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pelo Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor). A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O grupo trabalha com plataforma de vacina baseada em partículas semelhantes ao vírus (VLP, em inglês). Os testes de três formulações de vacinas diferentes já são feitos em camundongos.

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